A IMPORTÂNCIA DA INTERAÇÃO ENTRE OS ASPECTOS COGNITIVO, AFETIVO E SOCIAL NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA).
Caciací Santos de Santa Rosa
RESUMO
Esse artigo aborda a importância da interação entre os aspectos cognitivo, afetivo e social na aprendizagem dos alunos da educação de jovens e adultos (EJA). Para tanto fizemos uma revisão de literatura buscando trazer algumas contribuições que alguns autores trazem a respeito do tema, a fim de tentar compreender suas implicações na aprendizagem dos indivíduos.
Palavras-chave:
Aprendizagem. Cognitivo. Afetivo. Social.
INTRODUÇÃO
A aprendizagem humana é um processo continuo de construção de conhecimentos que envolve fatores e ordem cognitiva, afetiva e social. Cognitiva pois nela estão inseridas as multiplas capacidades fisiologicas e intelectuais de asimilação de informações e construção de conhecimntos; afetiva pois está relacionada com as emoções e desejos do sujeito aprendente e social no que diz respeito ao contexto social em que o individuo está inserido, bem como aos fatores multiculturais inerentes a esse contexto. Segundo Rubinstin (2003) a aprendizagem é concebida como um processo que demanda ação, autoria e criatividade por parte do sujeito da aprendizagem.
Rego (1995) afirma que segundo a toria Vygotskyana as funções psicológicas humanas se originam nas relações do individuo e seu contexto cultural e social. Nesse sentido a linguagem tem um papel fundamental de destaque nos processos de pensamentos. Pois o homem não é só um produto do meio, mas é também um agente criador e modificador do meio.
2 . O ALUNO DA EJA COMO SUJEITO DA APRENDIZAGEM
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) atualmente é composta principalmente por alunos tabalhadores das classes populares que não tiveram oportunidade de frquentar uma escola regular quando criança e muitos que até começaram a frequentar porém tiveram que abandonar os estudos pela necessidade de trabalhar para sobreviver e para ajudar a manter suas familias. Muitos desses alunos por terem interrompido quando criança o processo de construção das habilidades de leitura e escrita apresentam muita dificuldade para a aquisição de tais habilidades e isso se acentua ainda mais devido aos fatores de ordem afetiva da aprendizagem, pois a baixa autoestima, a vergonha e o medo de errar e ser criticado pelos colegas ou ate mesmo pelo professor é um dos principais obstáculos da aprendizagem que esses alunos enfrentam diariamente nas salas de aula.
Segundo Freire (2005) alfabetização de adultos como um ato de conhecimento, como ato criador e como ato político é um esforço de leitura do mundo e da palavra, pois já não é mais possivel um texto sem contexto.
A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. (FREIRE, 2005, p.11)
Cabe ressaltar que a aprendizagem da leitura e da escrita é algo bastante complexo pois envolve todo um sistema de representação simbolica da realidade, nesse sentido para aprender a ler e escrever o individuo necessita manter equilibrada a relação entre os fatores cognitivo, afetivo e social da aprendizagem, isso inclui despir-se do medo e da vergonha de errar, bem como se abrir ao novo, buscando agregar o que já se sabe ao que se deseja aprender.
Segundo Carrara (2004) os estudos de Wallon afirmam que afetividade é um campo funcional mais elaborado do que a emoção, embora tenha nela sua origem como elemento que possibilita o acesso ao universo simbólico do grupo social, incluindo aí a linguagem. Nesse sentido a teoria psicogenética de Wallon revela-se de grande importância para a educação, pois compreende a o individuo completo, o que ressalta a necessidade de promover uma prática pedagógica que dê conta dos aspectos intelectuais, afetivos e sociais, de forma interligada e sem privilegiar o cognitivo, tornando a escola um espaço de desenvolvimento integral da pessoa.
3 . CONSIDERAÇÕES FINAIS
Toda vez que falamos em aprendizagem na EJA não podemos deixar de levar em conta a relação entre os aspectos cognitivos, afetivos e sociais dos alunos. Pois os sujeitos aprendntes da EJA são em sua maioria pessos trabalhadoras que chegam a noite nas salas de aula já cansados após uma jornada inteira de trabalho, muitas vezes em atividades informais e que demandam deles um grande esforço fisico. Eles trazem uma rica bagagem de conhecimentos prévios relacionados às suas vivencias cotidinas. Esses alunos, são pessoas capazes e que mereçem todo nosso respeito e admiração, bem como mereçem uma atenção especial por parte do pedagogo e do psicopedagogo, pois muitas vezes esse alunos bloqueiam seu processo de apredizagem devido a fatores de ordem afetiva como: baixa autoestma, vergonha e medo de errar. Para ajudar esses alunos a superar esse problema é preciso que o professor tenha sensibilidade e habilidade para trabalhar tanto os aspectos cognitivos da apendizagem quanto os afetivos. Para isso é preciso criar um clima de confiança e respeito na sala de aula, a fim de que o aluno se sinta acolhido e não tenha medo e nem vergonha em aprender. É preciso que ele veja na figura do professor um parceiro que irá auxilia-lo no processo de aprendizagem.
É necessário fazer com que o aluno sinta desejo e segurança naquilo que está aprendendo, por isso, é necessário trabalhar cotidianamente na sala de aula os aspecto cognitivos e afetivos da aprendizagem, através de atividades desafiadoras porém alcançavéis e de estímulos positivos que os ajudem a elevar a autoestima, deixando de lado o medo e a vergonha, que são grandes entraves no processo de aprendizagem dos alunos a EJA.
Precisamos fazer com que os alunos compreendam que o processo de aprendizagem humana em qualquer época da vida é algo belo e útil para si mesmo e para os outros, por isso, é algo que deve ser apreciado e respeitado. É preciso fazer com que eles compreendam que o erro faz parte do processo de aprendizagem nos impulsionando a buscar novos caminhos na construção do conhecimento.
Esse artigo é um estudo preliminar simples e suscinto, porém é indicado aos pedagogos, picopedagogos e estudantes da àrea, pois ajuda-nos a fazer uma breve reflexão sobre a interação entre os aspectos cognitivo, afetivo e social na aprendizagem dos alunos da EJA.
REFERÊNCIAS
CARRARA, Kester. (org). Introdução à psicologia da educação: seis abordagens. São Paulo, Evercamp, 2004.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em tres artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2005.
REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perpectiva histórico – cultural da educação. Petrópolis: Vozes, 1995.
RUBINSTEIN, Edith Regina. O estilo de aprendizagem e a queixa escolar: entre o saber e o conhecer. São Paulo: Casa doPsicologo, 2003.